
No meio da Avenida
Viam-se meninos,
Meninos sem nome,
Descalços,
Ainda de fraldas,
Diversos tamanhos
Com cores diferenciadas,
Mas eram meninos,
Pobres crianças
Recriminadas pelos olhares
Impetuosos dos adultos.
Hoje são meninos
E amanhã;
O que haverão de ser?
Cabelos ao vento,
Empurrados aos carros
Que de vidros fechados
Ignoram seu encanto,
Querem atenção
Muito mais que dinheiro,
Querem uma palavra;
Um obrigado
Porém o descaso
Do bicho maduro
Faz da vida desses meninos
A insegurança de um olhar,
Que hoje ainda é doce,
Cheio de graça
Pois, são só meninos
Na Avenida da vida
Querendo atenção,
Um pouco de brilho
Para sua escuridão.
Querendo ser amanhã
O seu hoje,
E esquecer que um dia
Foram meninos,
Meninos de rua,
E tendo seu carro
Simplesmente fechar o vidro
Para outros meninos,
E desfazerem-se
Do duro passado
Ignorando o outro,
Como o bicho homem
Costuma fazer,
Sem racionalidade
Apenas porque tem medo
Dos pobres meninos,
Meninos artistas
Que tiram da Avenida
Seu sustento
E que não tem orgulho
De ser menino,
Menino de rua,
Que amadurece com a falha
Causada pela injustiça
Que de vidros fechados
Se sente mais bicho,
Mais forte,
Do que o Ser menino,
Que olha tristonho
Do meio da Avenida
Para o vazio;
O infinito descaso
Que ele mesmo tem,
Do homem que está
Preso do outro lado do vidro.
Nenhum comentário:
Postar um comentário